Este blog completou um ano de existência em 2008. Muito pouco perto de blogs muito conhecidos por aí, mas o suficiente para mudar radicalmente minha vida. Ele começou no Blogspot, como quem não quer nada, e apenas para me ocupar num período em que eu tinha acabado de sair do emprego para poder cursar a faculdade federal que eu havia acabado de passar. Eu sempre gostei de escrever, vivo na internet e queria ver qual é a desse negócio de web doispontozero, então vamos lá, certo? Não foi tão fácil quanto eu achava, e ele acabou me dominando por completo.
No começo eu me contentava em escrever uma ou duas linhas num post e achava o máximo. Quando achava algo engraçado na web, era só copiar e colar e tá tudo certo. Até alguns hotlinks (alugar banda de outro servidor usando imagens hospedadas nele) eu fiz, sem notar o quão errado era isso. Eu chegava em casa e ver o meu Orkut ou e-mail eram muito mais importantes do que o blog. Eu pesquisava mais sobre lançamentos em jogos do que sobre técnicas de SEO e era feliz assim. Mas, logo as visitas começaram a chegar e os cabelos brancos a aparecer na medida exata em que o blog começava a ganhar vida própria e, com isso, demandar tempo e espaço na minha vida. Ver se ele está no ar e funcionando virou uma prioridade. Passar um dia sequer sem colocar alguma coisa no ar? Impossível. Em um piscar de olhos eu me vi descobrindo tudo sobre o universo do blogs, as figuras conhecidas e carimbadas, as técnicas, as malandragens para caçar pára-quedistas. Descobri que era possível ganhar dinheiro com aquilo e isso parecia realmente sensacional.
WordPress, php, seo, banco de dados, blogosfera e mais algumas palavras entraram na minha vida para nunca mais sair, chegando a um ponto de loucura em que eu só pensava nisso e em como ganhar mais visitas do Ueba a cada dia. Ainda me vem o Analytics e me diz que pessoas do mundo todo estão visitando o blog. Não é incrível? Tudo começou a se resumir aquilo e não importava como, as visitas tinham que chegar de qualquer jeito para eu poder me exibir na rodinha de colegas dizendo o quanto o quanto eu ganhei do Adsense no ultimo mês.
Não durou muito tempo até descobrir que isso não era tão legal quanto eu pensava e a diversão toda tinha acabado quando o blog deixou de ser um passatempo e um campo aberto da web doispontozero para virar um amontoado de porcarias da internet que rendiam dólares, mas era escasso de diversão e satisfação. Era hora de mudar.
Descobri que escrever textos pequenos ou longos pode ser muito mais divertidos, mesmo que ninguém comente ou que não renda nada financeiramente. Também comecei a ver que colocar coisas legais e úteis que realmente me interessavam acabavam virando ótimas fontes de renda e posts cheios de comentários felizes de usuários porque, no final das contas, os visitantes do meu blog procuravam a mesma coisa que eu: Entretenimento. Seja na hora de ver um vídeo engraçadinho que eu achei no Youtube, seja na hora de discutir política de verdade, na hora de criticar ou na hora apenas de desabafar.
Acabei encontrando toda a diversão que procurava ao entrar numa polêmica sobre Britney Spears ou falar sobre pessoas feias de modo irônico, toda a discussão inteligente e democrática ao contar, indignado, sobre um engenheiro que havia sido atacado por índios numa matéria que vi na televisão. O ano de 2008 me reservou o céu e o inferno com o Shablemga, ao descobrir que aquela história sempre manjada de sempre fazer apenas o que se gosta e que eu acreditava seguir era apenas uma fachada, e que o prazer em blogar estava em deixar impresso na internet para quem quiser e desejar ver o que você tem a dizer as suas verdadeiras vontades. Se eu falo como instalar o MSN de um jeito fácil, é porque eu tive reais problemas com isso, se falo sobre um namoro que tinha acabado, era porque aquilo estava doendo e precisava contar pra alguém e, ainda, se eu estava pesquisando que montanhas-russas visitar numa viagem para a Europa e achei aquilo o máximo, porque as pessoas também não iriam gostar? Meu blog virou um amigo invisível que sempre tava ali quando eu queria apenas me expressar e contar as novidades. E não é essa uma das melhores coisas dos amigos? A outra melhor coisa dos amigos é que, através deles, você faz outros amigos. Acabei conhecendo o Sampson, o Cab, a Cler, a Bottan, o Cassiano e vários outros parceiros virtuais que me fogem à memória agora, todos através do blog ou do Twitter, que é uma extensão do blog, e acabei gostando de verdade deles ou dos blogs deles, mesmo que com alguns deles eu tenha falado apenas uma ou duas palavras.
O blog acabou virando também um ponto de encontro de amigos antigos, que sempre passam para ver o que eu estou escrevendo, pensando, vendo e acabam muitas vezes, através dos comentários, mantendo um contato que às vezes fica difícil no mundo real.
No final, acabei ganhando menos links no Ueba e as visitas diminuíram de volume, mas ganhei admiradores fiéis do blog que sempre visitam pra comentar e isso dá uma alegria e um orgulho danado. As horas dedicadas a ele ficaram menores, mas definitivamente, mais completas. O blog também acabou me ajudando, de certa forma, a conseguir um emprego maravilhoso. O blog ajudou a fazer de 2008 um ano em que me encontrei dentro e fora da internet e pude medir os aprendizados e conquistas e deixá-los gravados para a eternidade. O blog me tira tempo e sono, às vezes, é verdade, e ele também me atrapalha quando tenho trabalhos urgentes da faculdade ou quando preciso me concentrar no trabalho, mas sem ele eu não teria a bagagem, o conhecimento e a vontade de ir lá pra fora e ver algo legal pra contar que me fazem estudar melhor e trabalhar com mais eficiência.
Pode parecer estranho depositar tanta coisa num site, em algo imaterial, virtual, não palpável, mas na mensagem de despedida do ano de 2008, é nele que eu penso quando vejo que das coisas que eu posso deixar para a eternidade, quase todas estão ou estarão escritas aqui. Que as amizades, trabalhos, conquistas, amores, experiências e alegrias sempre possam ter um lugar para se encontrar e extravasar sem pudor, livremente, e voar por aí até encontrar alguém, nem que seja apenas uma pessoa, que goste disso e aproveite de alguma forma. Que você, leitor, mantenha ou encontre algo em que possa eternizar o seu nome, não para que ele fique famoso ou ganhe dinheiro com isso, mas para que você possa se orgulhar do que fez e tenha sempre algo que of aça feliz de verdade. Não precisa ser um blog, pode até ser um novo animal de estimação ou uma vontade de aprender a tocar sanfona irlandesa… essas coisas pequenas, sabe? Não é das grandes realizações que a vida é feita, elas são na maioria das vezes, esquecidas rapidamente, as coisinhas pequenas é que perduram nas nossas mentes e corações. E é isso que importa. É disso que um bom ano é feito.
Eu me orgulho do meu blog, do meu ano que passou e mais ainda do que virá em 2009.
Feliz ano novo!