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10 minutos

Às vezes, se espera por algo que se sabe que não vai acontecer. O grande problema ta no fato de que o ser humano é muito dependente, saca? Se apega as coisas muito fácil e ai começa a querer cobrar um retorno de tudo e todos pelo qual foi cativado.

Não é bem assim que a banda toca.

Então, se toca. O silêncio devora por dentro e se decepcionar vira um dramalhão mexicano quando, na verdade, não é tanto assim. As pessoas, simplesmente, não têm o dever de corresponder as suas altas expectativas sobre elas e, você meu caro, nem é essa Coca-Cola toda. Decepciona e deixa muita gente esperando na janela.

Algo diz pra você ir embora, mas você insiste em ficar, e aí a coisa toda degringola. Entender os sinais que você envia pode não ser fácil, acredite. Eu fico a me perguntar em que ponto perdemos o foco.

E aí o problema volta a ser eu, porque o folhetim continua a se desenrolar, mesmo sabendo que não tem razão nenhuma praquilo. Ou seja, sou eu que monto o barraco e rodo o cortiço, mas a culpa fica com você… Quando resolver ligar, não no sentido literal, mas no figurado, posso não querer mais. Pronto, falei.

Daqui há 10 minutos talvez enlouqueça…

Diga o que você precisa dizer…

Eu me peguei pensando sobre com o que é que as pessoas gastam a vida. Tantos poemas e historias nos contam como grandes pessoas passaram a sua existência e vivemos glorificando poucos quando muitos fizeram muito mais para merecer isto. Tantas histórias anônimas aconteceram em pequenos sobrados em subúrbios ou em fazendas inóspitas do interior que fariam qualquer mocinha se acabar em lágrimas na frente do cinema.

Eu vou dizer como eu gastei minha vida até aqui. Eu escondo sentimentos por pessoas que me magoaram ou que me decepcionaram na tentativa de me proteger. Eu diminuo a importância de histórias do passado na tentativa de torná-las insignificantes e, assim, sentir menos saudade. Eu aposentei ideais de vida por achar que não deveria lutar por eles quando, se lutasse, iria magoar outras pessoas. Alias, por falar nisso, eu evito magoar as outras pessoas. Sempre. Mesmo que tenha que sair como o vilão da história. Ah, e sem esquecer: eu nunca admito o quanto eu gosto de uma pessoa, mesmo ela sendo a melhor pessoa do mundo pra mim, na tentativa de, mais uma vez, me proteger do futuro.

E antes que você, super bem resolvido, venha dizer que isso aqui está sentimental demais, vou jogar uma verdade na sua cara: você faz alguma, se não todas, as coisas acima. E não adianta mentir. E se quiser me enganar, fecha a janela e corra pra algum texto que não vá lhe colocar contra a parede.

Estamos sempre pensando no futuro. Sempre pensando no que vai acontecer daqui a alguns meses, ou sobre como vai ser quando você arrumar um novo emprego e mudar de cidade. Talvez não seja seu caso especifico, mas eu acho que a gente se preocupa em manter as aparências demais e, para isso, acaba deixando de falar ou de fazer algo. Mesmo tendo visto centenas de poesias, contos e filmes no cinema contando a mesma coisa: não deixe para fazer amanhã o que você pode fazer hoje. Tomamos decisões baseadas no medo que sentimos de não rolar, não sermos correspondidos, não dar samba. Caminhamos como soldados abandonados num exército de um homem só, defendendo a nossa trincheira com unhas e dentes sem deixar ninguém chegar perto, quando na verdade alguém pode estar tentando aproximar-se apenas para nos dar um pouco de água. Essa coisa de vivermos em jaulas penduradas a metros e metros do chão acabou aprisionando também o jeito que nos comunicamos com as pessoas, sempre por e-mails ou qualquer comunicador instantâneo por ai, e a vontade de se abrir ficou entalada em algum fio de alta tensão que se emaranhou no caos da cidade.

Cada escolha que fazemos, por menor que seja, altera completamente a nossa vida e preferimos SEMPRE o conforto ao invés do pulo cego. Talvez por isso admiremos tanto os “malucos” que largam tudo e vão viver a vida pelo mundo fazendo o que bem querem. Ou aquele casal que saiu da cidade natal de carro, atravessou os desertos e foi ser feliz em algum canto. Se a gente admira tanto, porque nunca fazemos igual? Não é pra isso que servem os ídolos? Porque continuamos cercados de grades que fecham a nossa cabeça?

Vamos pular da ponte de óculos escuros.

Talvez eu nunca tivesse conhecido o amor se não tivesse dado uma brecha na cerca que me separava da aventura. E, pior, nunca teria conhecido a felicidade caso me fechasse a cada decepção que encontrasse. Prefiro não correr mais o risco de ter as possibilidades reduzidas a pó caso não diga o que eu realmente tinha pra dizer. Prefiro dizer que não quero atravessar o mar se for pra ficar longe do meu amor. Mesmo que eu tenha que ir, prefiro dizer que não quero. Prefiro dizer que não quero que ela vá pra longe, sem mim. Mesmo que ela vá, eu tenho que dizer. Prefiro dizer que me machuca não conseguir perdoar alguém que eu já amei mais do que tudo, mesmo que ainda assim não consiga o perdoar. Prefiro dizer que, quase sempre, eu sou um estúpido nas minhas reações com a mulher que já me deu tudo que podia dar na vida dela, inclusive a própria vida, mesmo que eu não pare de ser assim tão cedo. São muitos os caminhos que nos levam de um lugar pra outro, que moldam o nosso caráter e nosso jeito de agir e apenas cada um sabe a dor e a delicia de ser o que é, como dizia o poeta, então não vou julgar se não a mim mesmo. E prefiro dizer tudo isso agora, na esperança de um dia conseguir não ter mais nada para ser dito.

Mesmo que suas mãos estejam tremendo
E sua fé esteja perdida
Mesmo se os olhos estiverem se fechando
Faça isso com o coração aberto
Diga o que você precisa dizer…

Este artigo foi inspirado na música “Say”, de John Mayer.

Saudade

Em alguma outra vida, devemos ter feito algo de muito grave, para sentirmos tanta saudade… Trancar o dedo numa porta dói… Bater com o queixo no chão dói… Torcer o tornozelo dói… Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, cólica dói, cárie e pedra no rim também dói. Mas, o que mais dói é a saudade.

Saudade de um irmão que mora longe… Saudade de uma cachoeira da infância… Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais… Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, o tempo não perdoa. Mas, a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.

Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã. Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, no outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter. Saudade é basicamente não saber… Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio. Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia. Se aprendeu a entrar na Internet e encontrar a página do Diário Oficial, se aprendeu a estacionar entre dois carros, se continua preferindo Skol ou se continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados. Será que ela continua cantando tão bem e se continua adorando o McDonald´s. Será que ele continua amando os livros e se continua gostando de dar longas caminhadas. Será que ela continua a chorar até nas comédias… Será que ele continua lendo livros que já leu.

Saudade é não saber mesmo! Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche… Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer. É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso… É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer… Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você provavelmente está sentindo agora, depois que acabou de ler…

Recebido por e-mail.

Pra ver se cola

Todo começo de relacionamento é difícil de ser compreendido. As mãos se tocam com cuidado e cada movimento é feito com precisão cirúrgica buscando uma aprovação do outro. A barba dele sempre feita, as unhas dela sempre pintadas. Seria um absurdo ele chegar e vê-la com uma toalha na cabeça e ela se sentiria péssima caso visse que ele não penteou o cabelo naquele dia. A entrega se dá aos poucos, com o tempo, e a confiança de se mostrar e ser livre e entregue como pessoa vai chegando devagarzinho.

Muitas vezes as pessoas estão em diferentes momentos da vida quando resolvem se lançar no perigoso jogo da sedução, e por mais que se deixem envolver naquele estágio, é preciso compreender que são dois corpos novos juntando-se num só pensamento e que isso não é fácil, nem rápido.

Mas, há de se saber aproveitar as delicias desse período. A temperatura do pescoço dela quando você beija delicadamente a nuca, o roçar gostoso da barba dele com a pele lisinha dela, aquele jeito único dele de contar histórias engraçadas sobre a vida. Os toques vão ficando mais intensos e as descobertas que o tato pode proporcionar vão criar a primeira imagem de prazer que o outro corpo pode lhe oferecer.

Namorar é muitas vezes uma tentativa das pessoas de encontrar num outro ser as qualidades que não possui, e de conseguir se afirmar através das afirmações dos outros. Sinto muito, mas estes estão fadados ao fracasso da desilusão amorosa ao não perceber que tem a melhor oportunidade do mundo de crescimento pessoal quando estão namorando. Namorar é liberar o melhor que há em você, nem que no começo seja só pra impressionar, mas que você perceba aquele melhor e transforme na sua realidade pessoal.

Relacionamentos não podem ser divididos em bons ou ruins, sempre são bons. A única certeza que você pode ter é que não vai ser fácil, e que os vermelhos vivos dos corações apaixonados podem se transformar num preto triste. E essa parte fica fora dos cartões apaixonados da Hallmark. O que importa é vontade dos dois de querer dar certo, mesmo quando as coisas parecem que já não estão mais funcionando. Sempre há espaço para uma surpresa. Tente, vá em frente, pra ver se cola.

Infância

Quando eu tinha treze anos, eu costumava deitar no chão com um rádio e uma fita cassete e viajar nas musicas que eu tinha. Eram poucas musicas, mas aquele era meu universo particular no instante, e nada poderia me abalar. Lembro com muita saudade de que poder sair de casa à noite era uma vitória, e que aproveitava cada momento sob a lua com uma intensidade sem igual, sabia que depois daquele dia, demorariam muitos outros para que eu fosse novamente autorizado a sair naquele horário. Aquilo, para mim, significava tudo.

Com o tempo, vamos ganhando poder sobre as nossas próprias vidas e sair de casa vira uma obrigação, um ritual na busca por conhecimento, trabalho, dinheiro, diversão.

Quando eu tinha nove anos, adorava ficar sentado no chão da sala para ver televisão, adorava ficar deitado no chão do quarto para brincar com meus brinquedos, e adorava ficar esparramado no meio do corredor imaginando batalhas épicas entre dois clãs rivais na busca por um tesouro incalculável. Esses pequenos gestos me faziam muito bem e me divertiam horrores. Lembro que, enquanto todo mundo sentava no sofá para ver um filme, eu me esparramava no tapete e adorava isso.

Hoje em dia, mal tenho tempo de ver um bom filme, quem dirá pegar um balde de pipoca e sentar no tapete fofinho da sala, no escuro, e me divertir um bocado.

Quando tinha 15 anos, odiava quando diziam que eu não podia correr mais do que dois quilômetros por dia, porque era muito novo. Eu queria correr dez, oras. Todo mundo que me chamasse para um joguinho de futebol, eu estava dentro. Fazer uma caminhada até Aparecida do Norte? Topava. Ir e voltar pra escola a pé todos os dias era algo fácil.

Agora, ir a pé até a padaria é um esforço descomunal. Carros, ônibus e todas as facilidades que o mundo nos proporciona desde a invenção do controle remoto só me afastaram dos campos gramados, pistas de Cooper e da sensação gostosa de se fazer exercícios do lado de fora da caixa.

Como diz Mário Quintana, o tempo se esvai entre nossos dedos e quando se vê, já são seis horas! Os muros que criamos ao nosso redor na tentativa de nos protegeremos das coisas ruins acabam nos afastando das coisas boas, da vida real, dos prazeres infantis simples como tomar sorvete ou balançar num parquinho no fim de tarde. Como jogar bola até cansar com os amigos da rua de baixo ou dormir no colo dos nossos pais. Há idade avançada demais para fazer tudo isso?

Tomara que não, ainda quero muito comer pipoca com manteiga, sentado no chão, e cair no sono imaginando que amanhã ainda serei uma criança, com tantas coisas a descobrir.

Escrevo

Escrevo porque sinto que, apesar de algum esforço para fluir numa direção contrária, tenho me tornado uma mulher meio… Amarga.

Uma mulher com um enorme peso no peito e uns três nós na garganta. Sinto que se fui tão leve e se no meu rosto só coube um semblante de tranqüilidade com respingos de alegria, foi breve. Porque esta mesma semana, passando em frente ao espelho do banheiro, vi, num relance, nuances de amargura nos cantos da boca e uma maquiagem delinear meus olhos negros com a cor da angústia.

Displicente, joguei alguma água pra fazer escorrer aquilo estranho a mim. Debalde. Lavei então com sabão, esfreguei com força. Até ficar a pele toda arranhada. Cheguei ao desespero de arrancar pedacinhos de mim. Debalde. Por baixo havia ainda aquela coisa tosca e triste. Aos montes.

Escrevo por receio de, após algumas décadas de vãos esforços, desistir. E me deixar cobrir-me inteira de desgosto. Escrevo mesmo por puro medo. E se eu me tornar uma daquelas escritoras amargas que vomitam as tristezas d’uma vida no papel e criam grandes livros para compensar pequenas vidas medíocres?

Pois se hoje há em mim vestígios de alegria, temo que amanhã eu queira somente fugir do mundo e me isolar no meio do nada, pra fumar um cigarro e beber vinho e ouvir Coltrane e escrever até o punho pedir descanso. E de ficar ali pra sempre.

Ai, que não quero tocar outros corações contando as desventuras da minha desvida. Quero poder lembrar da minha vida, minha vida vivida, do meu coração tocando minha vida. E sim, quero ter todo o material para ser assim, ridiculamente piegas.

Escrevo. Com dor no peito, morrendo de medo, mas escrevo. Preciso deixar plantada essa tentativa de trazer de volta à vida meu futuro eu. De dizer a mim, algo que não lembrarei mais, mas que só eu sei e só eu mesma poderia me contar. De ressuscitar boas e intensas lembranças. De soprar no ouvido aquele dia na praia, esperando o dia amanhecer direito, segurar na mão d’um amigo. De assobiar uma melodia que traga de volta os tempos da faculdade. De, fazer-me cheirar essa carta e recordar instantaneamente aquele beijo, aquele mesmo, com o qual “todos seguintes foram depois comparados. E deixaram a desejar…”

Escrevo na esperança de ser lida pelo meu eu de amanhã, esse eu que tanto temo, essa grande escritora infeliz. Na esperança de me trazer alguma esperança.

Ai, escrevo!, descrente da minha própria empreitada. Pois que tanto tento cuspir esse gosto de bílis. Cobrí-lo com sabores mais agradáveis. Disfarçar com bombons de canela. Tanto que me apego a maravilhosas lembranças – eu as tenho!-, mas o gosto ruim nunca se esvai. Apesar do banho de cachoeira e da corrida gratuita na chuva…

Escrevo porque fraquejo. Porque, no fim das contas, me chama a grandeza dessa sina agridoce: ser, nas palavras, imortal e imensa. Escrevo para te dizer-me, se fores mesmo tão triste, que foi escolha tua. Sinto muito…

Catarina Macena é estudante de Publicidade e Propaganda e excelente escritora nas horas vagas. Leia mais textos dela no Poemas Tardios.

A paixão me pegou

E aí, do nada, ela vem e pá! Quebra-te a cintura e você não consegue mais requebrar ao som de dirty dancing e acha que tudo que faz é motivo para ela cair ou não na sua rede. Cada passo seu é milimetricamente calculado para evitar embaraços e decepções futuras.

Quando você é pequeno e se apaixona, parece fácil chegar na menina e dizer que gosta dela, ela tem a mesma idade que você, provavelmente nunca ninguém chegou lá e disse isso para ela, quem sabe assim, na surpresa, ela não se renda aos seus encantos não é verdade? Também tem a primeira paixão pela professora gata da terceira série. Esta é mais difícil de encarar e vai separar os homens dos meninos (sic). Ela é mais velha, mais experiente, mais inteligente e pode até ter um namorado que tem um carro, mas você tem certeza absoluta que é o aluno mais legal dela, e que isso vai contar pontos ao seu favor.

Chegando a adolescência a coisa complica mais um pouco, você tem que fazer a escolha da sua vida ao optar por ser o garoto tímido e charmoso que arrebata os corações das jovens incautas do colégio ou o pegador profissional que deixará o nome registrado na mitologia escolar e a marca pessoal impressa nos pescoços das mais atrevidas. Todas as duas possibilidades possuem os seus pontos positivos e negativos.

A experiência em relacionamentos fúteis e duradouros vai chegando com o tempo, você começa a sentir-se mais confiante para chegar naquela gata do terceiro ano, quando você ainda está no primeiro. Depois, vem a vontade de chamar a gata do departamento financeiro da sua empresa para um jantar e, após longos três meses de conversa, pareceu fácil conhecer o apartamento dela.

Mesmo assim, quando você vê aquela garota pela primeira vez com outros olhos, porque pode não ser a primeira vez que você a vê, mas tem aquela primeira vez com aquele olhar especial, as borboletas vão mesmo farfalhar no seu estômago e você vai se sentir tonto e inebriado pela doença da paixão, a gripe do amor. Você não consegue mais dormir direito pensando em todas as frases super bacanas e engraçadas que você vai contar pra ela no dia seguinte, você pensa em mandar rosas vermelhas, mas depois desiste por achar que é exagero. Começa a arrumar desculpas para sentar do lado dela no ônibus e, quando menos espera, está louco, doidinho para sair com ela, sozinho, e jogar toda a sua educação sentimental querendo apenas um beijo como recompensa. A paixão não tem idade nem hora para acontecer, e por mais experiente que você seja, quando a verdadeira e irremediável paixão chega chutando a porta dos seus sentimentos sem bater nem pedir licença, você sente o seu joelho perder a força e acaba se rendendo à ela, arriscando tudo que estiver ao seu alcance para conquistar a donzela e levá-la para o seu castelo.

É bom deixar bem claro a diferença óbvia entre paixão e desejo. Desejo você pode ter por qualquer uma que entre no seu gosto. Vai ser aquela que você vai chamar pra dançar uma noite ou outra, curtir uma praia e saciar sua vontade de ficar com alguém. Não que você não goste dela, gosta sim, mas não “daquele” jeito. Ela é legal, bonita, atraente e faz uma fondue de queijo sensacional, mas ainda falta, sei lá, aquele jeito de falar diferente, que faz qualquer homem se apaixonar.

Paixão, paixão mesmo você tem por aquela que os olhos lhe perfuram a camisa, deixando sua barriga de chopp à mostra, logo a sua barriga de chopp que você exibia com orgulho para as outras, para ela você tem vergonha. Paixão dessa que eu to falando você percebe quando ela te olha parecendo que quer te descobrir todo e você se entrega, dá a ela a chave do teu corpo e da tua mente e não consegue esconder mais nada, paixão é quando você sente vergonha quando os outros começam a perceber, é quando ela passa do seu lado e você se derrete pelo perfume que ela está usando, é quando o cabelo dela sempre parece bonito para você, mesmo as suas amigas dizendo que está horrível, é quando você sente aquele ciuminho porque ela preferiu sair com as amigas do que jogar pôquer com você e seus amigos do colégio.

Enfim, paixão é aquela hora, que não tem hora para acontecer, e pode acontecer centenas de vezes na vida, uma mais gostosa do que a outra. Paixão é aquele momento de suspense que você não sabe se vai ser retribuído ou não, mas que te deixa ainda mais apaixonado. Paixão é aquela hora que você não consegue mais pensar em outra pessoa, mesmo a vizinha gostosa do quinto andar te dando o maior mole. Paixão é aquele momento da vida de todo homem que ele olha para o céu, levanta as mãos e sabe que está fudido.

Pois é, eu to fudido. De novo.

(Texto inspirado na paixão do meu amigo Hugo Guimarães. Bonita, sincera, arrebatadora e verdadeira, como toda paixão deve ser. Boa sorte, brother!)