Por Nilson Junior | Comments : (3)
A gente passa por tanta coisa na vida que esquece de contar nos dedos o que aprendeu e aprende com tudo isso. Quando eu era criança, eu criava mundos imaginários e, na maioria deles, eu era o melhor jogador de futebol do mundo. Como eu era uma criança, bem pequena, ser rodeado de mulheres e dinheiro não era o centro das atenções nesse universo, mas sim ser rodeados de microfones e dar longas entrevistas para a televisão e sair nas capas de jornais do dia seguinte. Ser reconhecido pelo meu bom trabalho em campo era mais importante do que os frutos materiais que poderiam me ser proporcionados.
Eu poderia passar horas, com os olhos fechados, deitado na cama, imaginando as perguntas que os jornalistas iriam me fazer e eu, esperto todo, iria desfilar uma sequencia de tiradas inteligentes e engraçadas. Depois, podiam vir os carrões e as loiras, mas primeiro o dever.
Depois voce vai crescendo e se esquecendo que, antes de ser surtado com as pressões do meio em que convive, voce dava mais importancia para coisas simples.
E que fazer bem as coisas que voce se propoe a fazer era mais importante do que o contra-cheque no final do mês.
Aonde foi parar aquele menino inteligente?
Levando pra vida pessoal, quando eu era pequeno once upon a time, uma vida bem realizada era uma casa no campo, lá no alto das montanhas, com uma mulher linda que fosse fã dos Beatles ao meu lado num Chevrolet conversível e um café da manhã com suco de laranja. Hoje em dia, isso é cena de cinema e nem passa mais pela cabeça.

Será que tudo que passei na vida, todas as pessoas que conheci e todas as aventuras que vivi foram, discretamente, jogando pás de realidade na minha estrada?
Porque a gente deixa as ilusões de lado pra viver essa vida chata, aborrecida e cinza?
Sabe a cena de “A procura da Felicidade” em que o filho de Will Smith está jogando basquete com ele, e ao ser perguntado o que ele queria ser quando crescer e ele responde “jogador de basquete” o pai o desilude dizendo que ele é baixo demais pra isso? Um minuto depois, o pai se autocorrige e adverte: “Nunca deixe ninguém lhe dizer o que você não pode fazer”.
Uma vez, eu tive certas ilusões e não soube o que fazer. Não soube o que fazer. E ela se foi. Porque eu a deixei? Porque eu a deixei? Não sei, só sei que ela se foi. Porque não me deixei tentar?
Ninguem vai me fazer acreditar que eu não posso ser o que eu sonhei. E eu ainda vou ter aquela casa nas montanhas. Looking for a paradise.