A pessoa tem que ter feito algo de muito sério na vida passada para nascer Corinthiano nesta. Não é fácil ser discípulo de São Jorge, alvi-negro, maloqueiro e sofredor. Não é fácil ter que aceitar que nenhum jogo é fácil, que tudo vem no último minuto, que todo campeonato é ganho na última rodada. Mas, não há como ser feliz sem ser Corinthiano.
Este clube de futebol, que é bem mais que um clube, nascido sobre a luz de um lampião no Bom Retiro, em São Paulo, traz consigo uma magia que nenhum outro clube consegue carregar. Conseguiu passar 23 anos sem ganhar um título sequer, e quando mais perdia, mais a torcida aumentava. Conseguiu invadir uma cidade que não era a sua na final de um campeonato e ter mais torcedores do que o time local no maior estádio do mundo. Conseguiu deixar de ser um time que possui uma torcida para ser uma torcida que possui um time. Conseguiu cair pra segunda divisão do Capeonato Brasileiro e ter uma torcida louca o sufiente para gostar ainda mais dele desse jeito, não o abandonando nunca. Conseguiu ganhar um título mundial, quatro títulos brasileiros, ser o maior campeão estadual de todos os tempos e ainda assim seguir como um clube do povão. Conseguiu vencer religiões, cidadanias e se implantar na alma e no DNA de trinta milhões, isso mesmo, trinta milhões de corpos que vivem e morrem pelo seu clube do coração.
Hoje, este clube, Sport Club Corinthians Paulista, faz 100 anos de incontáveis histórias em que a história do país, das pessoas, do futebol, das famílias, da política, dos negócios e de todo o resto são apenas coadjuvantes de algo muito maior: Uma paixão avassaladora e incontrolável, que se espalha como vírus e nunca é posta a prova por um bando de loucos que, face ao centenário, só consegue pedir uma coisa: Não pára, não pára, não pára…
Mais do que paixão ou vício, ser Corinthiano é deixar de possuir qualquer outro adjetivo para ser, ele próprio, o time.
Eu SOU Corinthians.





