Missa do Vaqueiro
27 August, 2009 • Brasil, Publicidade • Comentários
Acompanhe nas linhas abaixo e nas belas fotos do final do post o artigo produzido por Gustavo Penteado e Nathalia Teixeira em homenagem à vida do vaqueiro do Sertão Nordestino, um primor de foto e jornalismo.
As fotos desta expedição estarão expostas a partir de 1º de Setembro na Livraria Cultura, em Recife – PE. Vale a pena a visita.
Para reverenciar e homenagear a dura vida do vaqueiro Nordestino, todo mês de julho, na cidade de Serrita – no Sertão pernambucano, a 554 km da capital Recife – é realizada a tradicional Missa do Vaqueiro. O evento já é considerado um patrimônio Material e Cultural do Estado de Pernambuco e tem grande significado para o sertanejo da Região e para a economia do local e das cidades do entorno. Este ano, aconteceu a 39° edição com direito a shows, pega de boi, vaquejada, churrascos, artesanatos, debates, palestras, muita fé, resistência e um público de 50 mil pessoas.
Nesta edição, a celebração da Missa foi conduzida pelo Padre Porfírio e o canto inicial foi entoando pelo popular cantor nordestino Santana. Ele cantou Jesus Sertanejo, de Luiz Gonzaga, onde destaca a identificação do vaqueiro nordestino com a fé e as dificuldades sofridas nessa terra seca.
“De sol vou sofrer ou morrer/ E as pedras resplandem a dureza/ A pobreza deste chão/ João, um menino, um destino/ Ai nordestino de arribação/ Cenário de dor, de calvário/ Ai muda a face desta aprovação/ Do céu há de vir solução…”
Todos os hinos são cantados com devoção pelos vaqueiros, que assistem tudo de cima dos seus cavalos, fazem comunhão com queijo e rapadura, pedem a benção das vestes típicas (gibão, perneiras, luvas, espora, chocalho, entre outros) e dividem os momentos de fé e homenagem com as centenas de turistas que anualmente vão até a cidade acompanhar o evento.
Além do aspecto religioso e da prova da fé, a Missa também tem um caráter político contestador, reivindicatório. É um espaço para o exercício consciente da cidadania. “Para os vaqueiros a Missa é o lugar onde eles podem interagir com vaqueiros de outras localidades, têm a chance de lutarem por seus direitos, serem vistos, respeitados e cobrarem dos governantes, mais atenção com a classe”, explica o organizador Thiago Câncio.
A luta a qual Thiago se refere é o reconhecimento da atividade de vaqueiro como profissão, visto o desempenho de suas atividades nas fazendas Nordeste a fora.
A Pega de Boi – O momento em que os 200 vaqueiros, todos com trajes típicos, (feitos em couro) se reúnem para correr atrás das novilhas no meio da caatinga é o ponto alto do evento, pois a marca a tradição e a intimidade que há anos esses homens mantêm com o Sertão árido. Os vaqueiros saem em disparada para pegar umas das dez vacas filhotes que são espalhadas pela manga – maneira coloquial como costumam chamar a caatinga – em busca do seu prêmio.
Cada animal encontrado vale uma recompensa para quem o capturou. Eles são enumerados, de um a dez, e a vaca apresenta maior dificuldade de ser capturada quanto maior for o número trazido pelo vaqueiro, o que significa também um prêmio mais alto.
O desafio é duro e exige perícia e habilidade dos vaqueiros, nem todos conseguem chegar ao fim com uma vitória em mãos. Este ano, o primeiro a sair da caatinga com um prêmio, a novilha n° 7, foi o vaqueiro João Bila. Ele saiu com marcas de sangue pelo rosto, mas com a felicidade e a satisfação do objetivo atingido. Já os vaqueiros da região vizinha de Exú, distante 64 km de Serrita, saíram da manga correndo como quem traz um prêmio dos bons, mas vieram de mãos vazias. Reclamaram: “Essa manga aí é muito grande”. Aparentemente, os vaqueiros da região levavam vantagem por já conhecer bem o terreno e as dificuldades do local.
No passado, eles realizavam a pega de boi, para localizar e capturar na caatinga as novilhas que eram criadas soltas, quanto mais corajoso e habilidoso o vaqueiro, mais reverenciado ele era. Hoje, a Pega é escassa e figura mais como modalidade esportiva, no entanto ela ainda é corrida por vaqueiros tradicionais, que vivem da agricultura familiar, da criação de gado e dependem dessa natureza aparentemente morta.
Dessa corrida, por encontrar e capturar a rês no Sertão surgiu o esporte que se conhece por vaquejada, que é praticado por vaqueiros esportistas, em arenas adequadas. Como contam os vaqueiros tradicionais: é um exercício mais caro, geralmente, realizado com cavalos e gados de raças valorizadas.

















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