Shablemga.com

Shablemga é um blog. Com notícias, diversão, opinião e muito mais. Sempre um comentário pertinente. Sempre um olhar cínico em cima do lance. Sempre as melhores cenas da web. Ou não.

Próximo, por favor.

30 April, 2009 Humor

Não deve existir lugar pior no mundo do que consultório médico. Primeiro porque você já chega na iminência de descobrir uma doença terrível que vai te deixar paralisado pro resto da vida. Pode ser só um check-up de rotina, mas se você realmente achasse que não tem nada, ficava em casa comendo Nutella com sorvete.

Depois tem a arquitetura do local. Isso é sempre péssimo. As paredes e janelas são todas fechadas, exceto por uma, que deve ser a saída de emergência em caso de incêndio. Todas as paredes são brancas, as portas são brancas, as maçanetas são brancas, o balcão da recepção é branco e os uniformes das atendentes é cinza. Alguma coisa tinha que ser, ou você esbarraria nelas pensando ser a continuação da parede. Todo o local é construído para lhe causar o maior constrangimento possível durante o maior tempo possível.

Acha que é um exagero? Quer um exemplo?

As cadeiras de espera. Elas são desenhadas para ter o menor espaço entre elas que a física permite. Você chega primeiro no consultório, senta no meio e fica lendo aquelas revistas de fofoca ou sobre os últimos congressos médicos que aconteceram em Nevada e foram super interessantes, para os médicos. Cinco minutos depois chega um cara com três metros de altura e andando meio torto, segurando as pernas e você já acha que ele está com alguma coisa infeccionada por baixo daquela calça jeans. Ele vem e senta logo ao seu lado, você pensa em mudar de cadeira, mas seria muito óbvio que você está fugindo dele, ele perceberia. Você fica na sua e apenas inclina o corpo pra direita tentando fugir o máximo que pode da infecção. Logo depois disso chega uma velhinha, cento e quatorze anos, vem amparada por duas netas de setenta e quatro e sessenta e um. Tossindo muito e fazendo barulhos estranhos. Meu Deus! Deve ser a gripe suína, no mínimo. Essa é a hora de fugir, ir pegar água no bebedouro no final do corredor. Mas, elas são mais rápidas: jogam o cartão do plano de saúde na mesa da recepcionista, que já as conhece de longa data, e se instalam entre você e o cara de três metros infeccionado. Agora sim, você vai contrair uma pandemia e uma inflamação, ao mesmo tempo, que debilitará o seu sistema de defesa e te fará morrer em algumas horas.

Ainda bem que você está no médico.

Mas o médico nunca vem, e sempre dá prioridade para quem está com algum problema mais sério. E você vai ficando na fila por tanto tempo que daqui a pouco a recepcionista pergunta qual o modelo do seu celular e se você trouxe o carregador dele, porque o dela descarregou de tanto escutar forró no ônibus vindo trabalhar.

Finalmente, você é atendido. A recepcionista te leva por entre corredores brancos com janelas e persianas brancas, entra numa porta branca que dá acesso a uma sala totalmente branca onde a única cor que não é branco são os modelos de corpos abertos exibindo fígados, pâncreas e corações num vermelho vivo.

O médico começa a fazer perguntas sem olhar na sua cara, mede sua pressão olhando pro relógio, receita exames olhando pro celular, porque está esperando a mulher dele ligar dizendo se conseguiu comprar o tapete novo da sala e, no final, estende a mão com um sorriso largo no rosto sabendo que mais alguns reais entrarão na sua conta dois dias depois por causa daquela consulta em que ele não precisou fazer nada além de repetir um script pré-definido de perguntas e prescrição de exames.

Não sei porque nós não vamos direto aos exames, já que sempre a primeira visita ao médico naos erve absolutamente de nada.

Na saída, você vê a velhinha tentando assinar alguma coisa na recepção e o cara de três metros não está mais lá. Você pensa se deve se apressar para pegar o elevador e ir embora antes que ele volte da consulta ou se espera mais um pouco porque ele já deve estar lá fora esperando o elevador. Nisso, entram duas crianças verdes espirrando pra cima e em todas as direções, é hora de correr.

Leia Também...

Escrever um comentário