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Violência doméstica é crime!

Você acha um absurdo a violência contra as mulheres? Então, você se surpreenderia com o número de denúncias, agressões e de mortes de mulheres no Brasil e no resto do mundo que cresce assustadoramente a cada ano. É simplesmente inacreditável.

Pensando nisso, a agência Grey Lisbon criou uma campanha para a APAV, instituição portuguesa que luta conta este tipo de violência, usando o tema da moda para passar a sua mensagem. Nos anúncios, podemos ver mulheres vestidas de marcas de roupa famosas e detalhes nos corpos delas que não deveriam existir. Marcas que, além de abomináveis, só demonstram a falta de caráter dos companheiros, familiares e verdadeiros monstros que as cometem e muitas vezes ficam impuneis pelo medo das mulheres em denunciá-los. Com a assinatura “Existem marcas que ninguém deveria vestir”, a campanha tenta mostrar para as próprias vítimas que elas devem sim denunciar e ajudar não só elas, mas contribuir para diminuir casos como o de milhões de mulheres ao redor do mundo.

Para ver os anúncios, clique nas imagens abaixo:


O filme da campanha:

Alguns números da violência contra as mulheres:

  • “Cantadas”, constrangimentos no trabalho, abandono material, discriminações, ameaças, intimidações,
    injúrias, calúnias, difamações, espancamentos, molestamentos sexuais, estupros, “quebradeiras”, rapto, tráfico de mulheres e assassinatos são formas de manifestação das relações violentas entre os gêneros. Deter-se há, aqui, na violência doméstica/conjugal e familiar.
  • “O número de mulheres vítimas de violência doméstica e sexual, no Planeta Terra, é maior do que o
    número de vítimas em todos os conflitos armados” (Casa de Cultura da Mulher Negra, de Santos/94).
  • A violência doméstica é a maior causa de ferimentos femininos em todo o mundo, e principal causa de
    morte de mulheres entre 14 e 44 anos. (Rel. Dir. Hum. Da Mulher da Human Rights Watch/96).
  • Um em cada cinco dias em que as mulheres faltam ao trabalho é motivado pela violência doméstica.
    (Banco Mundial/98).
  • O risco de uma mulher ser agredida em sua própria casa pelo pai de seus filhos, ex-marido ou atual companheiro é nove vezes maior que sofrer algum ataque violento na rua ou no local de trabalho (BID – Banco de Desenvolvimento/98).
  • De 10% a 34% das mulheres do mundo já foram agredidas por seus parceiros; segundo a OMS, 30% das primeiras experiências sexuais das mulheres foram forçadas; 52% das mulheres são alvo de assédio sexual. Isso tudo, sem contar o número de homicídios praticados pelo marido ou companheiro sob a alegação de legítima defesa da honra. (Organização Mundial de Saúde/2001).
  • O homicídio não pode ser encarado como meio normal e legítimo de reação contra o adultério, pois nesse tipo de crime o que se defende não é a honra, mas a autovalia, a vaidade, o orgulho do senhor que vê a mulher como propriedade sua”. (Decisão do Sup. Trib. de Justiça, Brasília/91).
  • O Brasil perde 10,5% do seu PIB (R$84 bilhões anuais) com os problemas da violência. (Banco Mundial/98)
  • “A cada 4 minutos, uma mulher é espancada no Brasil”. (Human Rights Watch – Org. Int. Dir. Humanos/95).

  • No Brasil, 70% dos casos de incidentes violentos devem-se ao espancamento de mulheres por seus
    companheiros; os agressores escapam de penas alegando ter agido “sob forte emoção”; e 50% dos
    assassínios de mulheres são cometidos por seus parceiros e há uma média de 2,1 milhões de mulheres
    espancadas, por ano, 175 mil por mês, 5,8 mil por dia.(Human RightsWatch./96 e Pesquisa Nacional da

    Fundação Perseu Abramo/2001 e revisão 2002).

  • “1 mulher é espancada a cada 15 segundos no Brasil” (Fundação Perseu Abramo 2001 e revisão 2002).
  • No Brasil, o ciúme desponta como a principal causa aparente da violência, assim como o alcoolismo ou o fato de estar alcoolizado no momento da agressão (mencionadas por 21%, ambas). Essas razões se destacam em respostas espontâneas sobre o que as mulheres acreditam ter causado a violência sofrida. (Fundação Perseu Abramo 2001 e revisão 2002).
  • Como proposta de combate à violência contra a mulher, a criação de abrigos para mulheres e seus/suas filhos/as é a que merce maior adesão (43% na primeira resposta, 74% na soma de 3 menções); a criação de Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (21%) aparece como segunda principal medida, seguida por um serviço telefônico gratuito – SOS Mulher e um serviço de atendimento psicológico para mulheres vítimas(propostas empatadas tecnicamente com 13% e 12%, na ordem), dentre oito ações de políticas públicas sugeridas. (Fundação Perseu Abramo 2001 e revisão 2002).
  • “O Brasil é um dos campeões mundiais em violência contra a mulher”. (Relat. Americas Watch/92).
  • “Apanhar dentro de casa é uma realidade para 63% das mulheres brasileiras” (Ministério da Justiça/98)
  • “98% das preocupações de mulheres brasileiras são o combate à violência contra a mulher e 96% sobre o abuso sexual no trabalho”. (Revista Veja/94)
  • Em torno de 50% do telespectadores disseram via ligação gratuita que já vivenciaram a violência
    doméstica (Globo Repórter sobre Violência Doméstica, set./98).
  • Em todo o Brasil há apenas 307 delegacias especializadas de atendimento à mulher(que favoreceriam a queixa e busca de ajuda) e só nas cidades do Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Goiânia, Fortaleza, Goiânia e Porto Alegre existiam casas-abrigo e mais 35 outras de menor porte, para abrigar
    temporariamente a mulher e filhos(as) quando ameaçados de morte e em risco de vida, sem terem para onde ir. (Conselho Nacional dos Direitos da Mulher/2001).
  • As relações de violência entre homens e mulheres ocorrem em todas as classes sociais, raças e etnias.
  • As classes médias(as maiores afetadas) e altas não denunciam, muitas vezes, por terem um “status” a preservar e receiam escândalos.
  • Somente 1/3 das relações de violência entre os sexos é denunciado.
  • A violência conjugal e doméstica traz prejuízos ao mercado, pois a mulher falta mais ao trabalho, produz menos, torna-se menos eficiente, sentindo-se insegura, ameaçada e com baixa auto-estima.
  • Fatores inibidores da denúncia da violência conjugal/familiar: crença de que a violência é temporária,
    conseqüência de uma fase difícil; receio de possíveis dificuldades econômicas na ausência do companheiro; a situação dos filhos caso este tenha ficha na polícia ou fique desempregado; vergonha
    perante os filhos; pena do agressor que é violento “só quando bebe”; vergonha de ser vista como
    espancada; falta de apoio familiar; medo do agressor; sentimento de culpa; receio de ficar sozinha; falta de informações; baixa auto estima; falta de infra-estrutura e atendimento precário de delegacias gerais, especializadas ou juizados especiais e/ou descrença nos serviços prestados, dentre outros.
  • Não é atoa que as mulheres permanecem, em média, de 10 a 15 anos na relação violenta.
  • Fatores que contribuem com as relações de gênero violentas: feminização da probreza; padrão sexista/machista nos relacionamentos; desigual divisão social do trabalho; exclusão política feminina; pequeno percentual de mulheres ocupando cargos de chefia e educação diferenciada para meninos e meninas, resultando em desigualdades.
  • Engana-se quem pensa que a violência conjugal/doméstica/familiar é decorrente de fatores como
    desemprego, alcoolismo e miséria. Esses são apenas facilitadores/catalisadores. “… A violência apresenta as seguintes características: visa à preservação da organização social de gênero, fundada na hierarquia e desigualdade de ‘lugares sociais sexuados’ que subalternizam o gênero feminino; amplia-se e reatualizase na proporção direta em que o poder masculino é ameaçado; é mesclada com outras paixões com caráter positivo, como jogos de sedução, afeto, desejo, esperança que em última instância, não visam abolir a violência, mas a alimentá-la, como forma de mediatização de relações de exploração-dominação; denuncia a fragilizada auto-estima de ambos os cônjuges, que tendem a se negar reciprocamente o direito à autonomia nas mínimas ações”. (Saffioti/95).
  • O ritual das agressões é iniciado, muitas vezes, no namoro ou primeira gravidez da mulher.
  • A simples vitimização feminina perpetua os “papéis” tradicionais, que estão na origem mesma das
    agressões. É preciso perceber que, às vezes, por mais perverso que possa parecer, as relações de violência doméstica aparecem como uma forma ritualizada de comunicação entre o casal, havendo muitas ambigüidades em ambos os “papéis” constituídos. (Gregori/93).
  • Foram registradas 239.530 queixas nas Delegacias de Defesa da Mulher do Estado de São Paulo no ano de 1998.(DDM/98)
  • Dos 115.000 processos criminais analisados, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, em tramitação,
    durante o primeiro semestre de 1995, 17.625 , ou seja, 15% são de crimes contra a mulher e 41,55%
    desses, constituem-se lesões corporais – agressões físicas e espancamentos. Os homicídios representam 13,92% e atingem na maioria mulheres entre 18 e 35 anos. Os crimes de estupro representam 11,88% dos processos. Na maioria das vezes o réu é o marido, o companheiro ou parente próximo da vítima. (Comissão Especial da Assemb. Legislativa de Minas Gerais/95).
  • De mar. a nov./96, em Uberlândia, ocorreram aproximadamente 11 assassinatos envolvendo mulheres,
    sendo a maior parte crimes passionais; de jan. a dez./96 foram registrados, ainda, aproximadamente 58 estupros e de mar. a ago./97 houve 5 assassinatos de mulheres; de jan. a jul./97 foram aproximadamente 15 estupros. (Dados fornecidos pelo jornalista Pedro Popó).
  • O S.O.S. Mulher/Família de Uberlândia atende gratuitamente, por meio de profissionais da área social,
    psicológica e jurídica, em média, mais de 150 casos (mulher, casal, família, grupos) mensais, sendo a
    maior parte agressões físicas, espancamentos, ameaças entre casais, funcionando das 8:00 às 12:00, e dois dias ‘a tarde, à R. Johen Carneiro, 1454, Lídice, Uberlândia/MG (S.O.S Mulher/Família de
    Uberlândia/2002). A constituição da PAM – Patrulha de Atendimento Multidisciplinar, uma parceria
    entre a PMU, UFU, SOS e 17o- BPM para abordagens domiciliares a situações de violência intrafamiliar
    faz visibiliar mais, ampliar e dinamizar os atendimentos.
  • Dentre os processos crimes, envolvendo crimes contra a mulher, pesquisados no período de 1980 a 1994, no Forum Abelardo Penna de Uberlândia, constata-se que a maior parte dos crimes são lesões corporais, em seguida os homicídios; os agressores, na sua maioria: amásios, maridos, namorados e ex…; com instrução; brancos, de 21 a 40 anos; motivados por ciúmes e a impunidade prevalece.

(Dados: Dissertação de Mestrado defendida na USP em 1998, por Cláudia Guerra).

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Comentários (8)

O MAIOR CRIME SEM PUNIÇÃO É QUANDO A OUTRA PARTE DENUNCIADA TEM DINHEIRO E CONHECIMENTO E VOCÊ VIRA O COCO DO CAVALO DO BANDIDO. QUANDO DEPOIS DE PASSAR PELA DEAM E IML E TUDO VIRAR PÓ !!!! QUANDO TER UMA CRIANÇA DE 6 ANOS INDO COM VOCÊ NA DEAM E ELA RESPONDER TUDO PORQUE A MÃE NÃO TEM CONDIÇÕES E MESMO ASSIM VOCÊ SER TRATADA E DIFAMADA COMO L O U C A !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Sou Procurador de Justiça em Brasilia-DF e hoje citei sua manifestação num parecer que dei em processo de Habeas-Corpus contra a libertação de um indivíduo que, no ambiente doméstico, agrediu violentamente sua própria mãe. Um abraço (ezequiel@mpdft.gov.br)

[...] Leia mais direto na fonte: http://www.shablemga.com [...]

[...] Leia mais deste post no blog de origem: Clique aqui e prestigie o autor [...]

Fui vítima de violência doméstica por 16 anos, a agressora foi a mulher que me registrou ou seja genitora, fui violentada fisicamente, psicológicamente e explorada domésticamente diariamente, ela me obrigou a matar animais e roubar junto a ela (qdo fui flagrada ela me abandonou no local sozinha, eu tinha 8 a), naquela época não sabia dos meus direitos e não contava com o apoio dos familiares, ela teve diversos amantes, e compulsoriamente eu compactuava com os encontros, era obrigada a conhecê-los e agradá-los, mandar recados p os encontros e manter sigilo pois ela é casada, etc. O resultado desses traumas foram terríveis na minha vida pois abandonei os estudos, tive uma gravidez precoce p ter um lugar p morar pois não aguentava mais tanta tortura, fui moradora de rua, dependente química, explorada sexualmente, tentei o suicídio por diversas vezes… faço tratamento psiquiátrico há 04 anos, psicoterapêutico e até uma rinoplastia fiz p não lembrar do rosto do suposto pai que não é o mesmo que me registrou. Hoje luto judicialmente por danos morais e físicos causados por tudo isso. Peço uma orientação dos canais existentes de reparação de todo esse prejuízo causado na trajetória de minha vida e luta pelo combate dessa violência, moro em Santos , São Paulo, meu email é :
vanessinha.unisantos@hotmail.com

Obrigada por lerem, peço uma orientação, dos canais existentes, este eh um caso verídico, tenho provas dos terríveis resultados desse abandono e privação de afeto e amor.

Prezada Vanessa, sou Procurador de Justiça em Brasilia-DF e sua mensagem me sensibilizou muito. Citei essa sua mensagem em parecer que dei num processo de Habeas-Corpus contrário à libertação de um indivíduo que, aqui em Brasilia-DF, no ambiente doméstico agrediu violentamente sua própria mãe. Um abraço e, se quiser, me escreva (ezequiel@mpdft.gov.br)

Promotor, fico feliz em ter ajudado a combater um crime tão barbaro. Fique a vontade para citar qualquer comentário daqui, tenho certeza que todas as mulheres que comentaram tem como objetivo numero 1 combater estes criminosos.

Meu caso nao eh bem domestico, mas o William Volcov vem invadindo minha vida inteira, principalmente meu casamento pela internet, constantemente
meu pc eh desligado, minhas contas de email bloqueadas – nw sei ate q ponto ele usa meu nome sem eu saber -, esta
sendo investigado pela 4a Delegacia de Policia de SP, ha quase 4 anos agora, recebeu intimaçao por difamaçao, usar
nomes falsos na internet, invasao de privacidade, mas continua fazendo as mesmas coisas e mais contra mim e meu
marido. O policial pode ser contatado pelo email flaavio1@hotmail.com .
Obrigada.

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