“Vicky Cristina Barcelona” é um filme que provoca todo tipo de emoção antagônica no espectador: do riso à raiva, passando pelo desprezo. E isso não é um sinal de que o filme é ruim, pois, apesar de suas obviedades e excesso de clichês, nem sempre tão comuns em filmes de Woody Allen, o filme consegue manter um ritmo agradável e prova ser um belo programa.
A história se passa numa Barcelona contemporânea, em que duas amigas americanas com visões extremamente opostas sobre o amor, interpretadas por Scarlett Johansson e Rebecca Hall, resolvem passar as férias de verão aproveitando o ar europeu. Vicky (Rebecca Hall) está noiva de um americano com cara de soro caseiro e está concluindo uma tese sobre a identidade catalã. Segura e crente de suas convicções quanto ao amor e a segurança de um relacionamento, ela começa a desabar emocionalmente quando cede a uma noite de amor com um pintor espanhol, interpretador por Javier Bardem. Já Cristina (Scarlett Johansson) é uma jovem insegura de suas habilidades artísticas e descrente de relacionamentos, que se apaixona de cara pelo mesmo pintor espanhol e vive com ele e sua louca esposa (Penélope Cruz) uma paixão a três.
A comédia dramática desenrola-se com o passar dos dois meses de estadia e reviravolta nas mentes e corações das protagonistas, mas nunca chega a decolar de verdade. O destaque é a personagem de Penélope Cruz, que de tão exagerada e explosiva, torna-se estranhamente real e familiar, conferindo profundidade ao personagem de Bardem que em certo ponto do filme, torna-se enfadonho.
No material de divulgação, Woody Allen afirma que o filme é uma viagem intensa por Barcelona, não é de todo mentira, mas com a exceção das belas tomadas de Oviedo, o filme limita-se a mostrar os pontos famosos da cidade catalã de forma superficial.
No frigir dos ovos, não se pode esperar de “Vicky Cristina Barcelona” surpresas e genialidades como em “Scoop”, “Match Point” ou “O Dorminhoco”, mas é um filme que vale a pena ser assistido e compreendido.
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