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Histórias de Busão

Depois de anos sendo calejado, você aprende. Eu, depois de muito sofrer pelos coletivos desse Brasil aprendi certas técnicas essenciais à sobrevivência e ao convívio pacifico e polido dentro dos mesmos.

Por exemplo, o problema do motorista que tenta lhe derrubar quando você sobe no ônibus. Você nem chegou perto da catraca e lá está ele freando e acelerando loucamente para te ver com a cara colada no chão. E se você estiver com sacolas, prepare-se: a intensidade é dobrada. O esquema é, assim que entrar, recostar-se sobre a cadeira de idoso. Fácil. O cobrador vai te olhar torto e o motorista, assim que parar, vai pedir pra você passar a catraca. E o melhor: com o ônibus parado. Mas atenção: caso haja idosos nas cadeiras, aborte o plano e se agarre o mais forte que puder nas barras para não cair.

Tem também o famoso problema do ônibus que passa exatamente quando você ainda não chegou no ponto. Isso acontece direto. Você sai correndo igual um maluco, bate na lataria do dito cujo e nada, lá se vai ele feliz a contento enquanto o motorista te olha pelo retrovisor e sorri. Existe uma solução simples pra isso: Nem tentar. Claro! Está parado num sinal e o ônibus chegou na parada? Nem se desespere. Faça meia-volta e vá comprar um sorvete, pelo menos o tempo que você vai passar na parada terá algo agradável para se fazer.

Mas o maior problema que eu encontro no ônibus são os próprios passageiros. Tem de todo tipo e estranheza possível e você deve combatê-los caso deseje ter uma viagem tranqüila. Existe o problema dos “pseudo-idosos” de quarenta anos que ficam lhe olhando querendo que você ceda o lugar. Solução? Finja um desmaio e uma súbita melhora quando chegar perto de sua parada. Você nunca mais vai encontrar esse cara mesmo…

Também existem os fedorentos e sujos. Não sei se alguém já os informou, mas o ônibus, como espaço público, significa que você tem que dividi-lo com a sociedade à sua volta tal qual um shopping, por exemplo. E você não vai fedendo gorgonzola e com seu pijama cheio de manchas para o shopping. E, como não obrigo ninguém a sentir bafo e cheiro de sovaco, exijo, pelo menos, a mesma consideração para comigo. Eu testei várias maneiras de repelir estas criaturas de perto de mim e até hoje a mais eficiente consiste em simular uma gripe horrível, daquelas com bastante catarro e tosses estrambóticas. É tiro e queda. Afinal, eu ficar ao lado de alguém que parece morto há dias pode, mas fica do lado de alguém com gripe é inadmissível não é?

Viva a hipocrisia.

Mas o pior caso, o que mais me irrita, é o caso dos gordos. Vá lá, conseguiram ganhar cadeiras de cinema especiais pra eles acomodarem sua obesidade, mas eu não tenho culpa nenhuma se eles subverteram a ordem natural das coisas por causa de uns bem-casados a mais. O corpo humano foi feito, assim como o de todos os animais, para ser proporcional, ágil, veloz e prático. Não uma banheira sem rodinhas. E não há nada pior do que você ter que passar uma ou duas horas dentro de um ônibus sentado ao lado de alguém que poderia facilmente ocupar o corredor inteiro do coletivo, mas está espremido junto ali ao seu lado e você é obrigado a colocar metade do seu corpo pra fora se quiser respirar. Que me desculpem os gordinhos, mas vocês deveriam é aproveitar pra andar o trajeto todo que precisam, quem sabe assim não melhorariam um pouco a forma física não é mesmo? Mas depois de tanto penar, arrumei uma solução fácil e rápida. É ver um gordinho se espremendo na catraca que baixa em mim o espírito do Igor Cavaleira e começo a fingir, ensandecidamente, que estou tocando uma super bateria in free style para uma multidão gigantesca. Não há gordinho que se atreva a sentar perto de mim. Devem pensar que eu sou muito espaçoso!

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Comentários (1)

kkkkkkkkk…Ótimo!

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