Back to Black
Grata surpresa escutar o novo CD da inglesa Amy Winehouse, de 23 anos e que parece de saÃdo de um dos clássicos do gueto soul das antigas. Numa época em que todo mundo parece querer “recriar” sons clássicos e teclados re-manufaturados, ela esbanja classe num soul pré-fabricado da década de 60. Coisa boa de verdade. Depois de escutar “Back to Black” você se
apaixona, e foi o que aconteceu! Ainda surpreso pelo som fui atrás da história dela e cheguei a “Frank”, lançado em 2003 por uma outra Amy (mais comportada e tal), mas que já vagava pelo hip-hop e flertava com a supresa. Agora, no novo cd, já completamente descabelada e com algumas tatuagens a mostra na capa, ela mostra que cresceu. Em “Back to Black”, que tem apenas composições dela própria, Amy revisita o som de girl-groups como Martha Reeves & The Vandellas e Supremes (lembram de “DreamGirls”?) em faixas como “Tears dry in their own” e no primeiro hit, “Rehab”. Esta, por sinal, é barra pesada - a letra - cujo tÃtulo, em bom português, é “reabilitação” - trata dos problemas da cantora com o álcool, já conhecidos publicamente: (”eu e a bebida temos uma relação bem intensa, de amor e ódio”, confessou ela com exclusividade para um jornal brasileiro, recentemente). Músicas como “You know I’m no good” e “Love is a losing game” são simplesmente mágicas (com destaque para a primeira), e poderiam tranquilamente estar no repertório de uma Aretha Franklin. Nas letras, Amy larga mão qualquer condição de musa soul e vem com uma carga pesada - problemas existenciais, relacionamentos complicados, etc. Ela pode não ser uma verdadeira diva (drogas, bebidas e confusões em pubs com a moça sempre estão estampando as capas dos tablóides ingleses), mas tem toda a rebeldia do rock´n´roll classe A, o style do soul, a classe e a influência dos gods ingleses e aquela pitada de auto-promoção pop indispensável para vender milhões de cd´s. Vale a pena.
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